A minha Aventura no Quénia

Hoje acordei super sentimental e nostálgica, estava a tomar o pequeno almoço antes de ir trabalhar e não conseguia parar de pensar na minha aventura de voluntariado no Quénia!

Não foi de agora, já foi em 2015, mas não sei como, passei o dia todo a lembrar-me disso!

O início desta grande aventura começou pelo simples facto de eu, Mariana, na altura com 18 anos, querer melhorar o Inglês, pois a partir do segundo ano da faculdade passaria a ter aulas única e exclusivamente em Inglês, com alguns professores estrangeiros.
Depois de tentativas em vão, como andar no Cambridge, experimentar o Wall Street e quase ir para aqueles cursos intensivos de línguas estrangeiras no Verão, decidi aproveitar um desafio, quase caído do céu, de ir fazer voluntariado no estrangeiro.

Após o processo de entrevistas e testes, fui seleccionada para um projecto no Nepal, que consistia em não só incentivar as crianças a ler, mas também a dar apoio constante às aulas e ao estudo pré exames, a crianças da escola primária, sendo que o foco maior nas matérias lecionadas seria o Inglês e a Matemática (uma das minhas disciplinas preferidas, e que adoro pelo facto de ser a mesma "linguagem" em qualquer parte do mundo).

Tudo se desorganizou quando o destino escolhido - Nepal - para fazer voluntariado foi cancelado devido às catástrofes naturais (e a partir daí nunca mais nada esteve organizado!), e tive que ir para um destino onde fossem precisos voluntários para ensinar e o projecto fosse minimamente semelhante para o qual eu já tinha sido seleccionada.

Fui deparada então com a opção de ir para África, mas tinha a restrição do Inglês (o meu destino teria sempre de me obrigar a falar Inglês, pois só assim cumpriria o objectivo de estar mais à vontade com esta língua estrangeira), por isso as opções como Cabo Verde ou Moçambique ficaram de lado, e acabou por sobrar o Quénia.

Então, após algumas insistências com a minha família, lá fui eu para o Quénia!



Quando cheguei ao Quénia, não havia projeto, e fui alocada a um hospital de uma favela em que as minhas funções passavam por um pouco de tudo, desde dosear comprimidos a anunciar os resultados de gravidez e análises de sida, e chegaram a querer que eu tirasse sangue, mas o meu curso não era de todo medicina, e eu só a maior mariquinhas no que toca a agulhas.... a ajuda necessária era mesmo muita, mas não era com a minha ajuda que iria fazer muita diferença!
Após muito esforço, eu e mais uns voluntários na mesma situação aderimos a um projecto para dar aulas numa escola de uma favela.
Ao começar a dar aulas, apercebemo-nos de que as salas de aula eram de facto muito escuras, não havia electricidade e os recursos eram muito escassos, e os poucos que haviam estavam desgastados.

Um projecto não era suficiente, decidimos por mãos à obra  delinear um novo, luz para as salas de aula através de lâmpadas solares, pintar as salas todas de branco e trazer materiais e fardas novas para as escolas (tentando rentabilizar ao máximo os recursos já existentes); mas como é que isto seria possível?? Angariações de fundos nas redes sociais!

Eu própria não conseguia acreditar, mas em menos de uma semana e meia já tínhamos mais do que o budget necessário e pusemos as "mãos na massa"! Começámos a pintar todas as salas de aula, a instalar painéis solares e lâmpadas.




 Foi sem dúvida uma das experiências mais gratificantes de sempre, em que eu vi o agradecimento genuíno nos olhos não só dos pais e professores, mas principalmente das crianças.

Os projectos terminaram poucos dias antes de me ir embora de volta para Portugal, e tenho que confessar que, apesar de já só querer voltar para casa (pois dois meses parece pouco, mas lá em Nairobi é bastante intenso), voltei com o coração apertadinho e no avião não contive as lágrimas pois só me lembrava dos meninos a chorar :(


Missing these kids, missing Kenya  

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